Especial raposas
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(via Miss Moss)
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Design, brasilidade e Firmorama
O Firmorama é um ótimo exemplo disso. Mesmo localizado no interior do estado de Santa Catarina (em Jaraguá do Sul), o estúdio de design manda ver no seu trabalho com uma pegada bem brazuca e é inclusive bastante aclamado lá fora. Na lista de clientes, encontramos empresas brasileiras como Havaianas, MTV, Ford e Lez a Lez (que também é cliente da Fresta), e também empresas gringas como Kellogg’s (US) e Chili’s Restaurant (em Dubai).
Por essas e outras, decidimos bater um papo com os caras, para descobrir o que eles pensam sobre o design no Brasil, suas perspectivas de futuro e ... bem, acho que já falei o bastante.
Fresta: O design gráfico brasileiro é bastante reconhecido lá fora. É provável que isso aconteça pelo fato de termos diferentes culturas convivendo juntas num único país. O estúdio de vocês inclusive já foi citado em sites da gringa. Como é que o Firmorama se vê nesse contexto? O que é que o Firmorama tem?
Firmorama: Desde que fundamos o estúdio, há 03 anos, já havia uma onda de valorização do design gráfico brasileiro, e não só ele, como todas as áreas que possuem essência criativa, como por exemplo a publicidade. Sentimos muito isto, e nos surpreendemos com a quantidade de mídia espontânea que o Firmorama tem na internet, e da forma com que os contatos chegam até o estúdio, não só comerciais, mas pessoas interessadas em trocar experiências, curiosas em descobrir como é viver de design no Brasil, e principalmente das grandes metrópoles brasileiras como São Paulo. Acredito que esta identidade brasileira, é muito menos racional do que imaginamos, está muito mais ligada ao nosso cotidiano, há uma visão global, mas há também a experiência diária com a cultura, o que absorvemos em nosso dia a dia, é difícil ser sintético, quando se fala de identidade brasileira, e em um pensamento mais amplo, acredito que ainda não a descobrimos completamente, quem sabe outros países o tenham feito, ainda antes de nós.
Não sei dizer o que o Firmorama tem, mas sei que temos valores que são locais, e pensamentos e visões globais, precisamos estar muito ligados no que acontece fora de nossas barreiras geográficas, porém acreditamos que não precisamos estar no olho do furacão, escolhemos não sair daqui, por enquanto, não perder a qualidade de vida, e o que isso gera de benefícios para nós, e mesmo assim, buscar desenvolver um trabalho, e uma linguagem que possa ser percebida em qualquer lugar.
Se for falar de estética, já comentaram muito que o trabalho brasileiro tem um colorido típico, uma criatividade em se traduzir conceitos visualmente, um jogo de cintura para avaliar a situação e tomar atitudes, os famosos planos B, que muitas vezes tornam-se os únicos planos viáveis.
Fresta: Falamos de mundo e de Brasil, agora focando no nosso estado, todos sabemos que Santa Catarina é um promissor pólo industrial. Como vocês vêem a indústria do design catarinense? O fato do estúdio estar no interior do estado (Jaraguá do Sul) implica em alguma coisa ou de fato o mundo é globalizado?
Firmorama: Primeiro, a visão de Santa Catarina, sempre foi de um estado com forte parque fabril, inclusive para a moda, porém há um tempo, vemos uma mudança acontecendo, e estamos em meio a um momento de transição, desta fase de valorização de poder fabril, para a fase de poder criativo, e do conhecimento, pessoas e valor de marca.
Nós do Firmorama acreditamos que isto está fazendo com que as mais tradicionais e familiares empresas, abram suas portas para um modelo mais colaborativo, mais humano, e há um verdadeiro êxodo industrial, onde padrões de contratações, e permanência de funcionários por longos anos, já não são mais a realidade. Quem descobre isso mais rápido, está tendo resultados ótimos, e o design tem um papel importante nisto.
Falando do fato de estarmos no interior : Esta nossa escolha, de permanecermos aqui, implica em muitas coisas, principalmente da maneira como as pessoas vêem o trabalho, e compreendem o contexto onde estamos inseridos. O que para alguns soa como barreira, para nós é vantagem.
Por estarmos longe de tudo, e avaliando que uma característica cultural de nosso estado é valorizar o que vem de fora, partimos para a contra-mão, buscando prestígio e reconhecimento fora do estado, para refletir em nosso trabalho local, isto tem dado muito certo.
É um exercício e uma educação diária do mercado, em se vender um trabalho, onde se pensa muito alem de uma esfera local. Hoje podemos dizer que é o caminho mais difícil, porém, com toda certeza, o caminho que busca algo durador, com valores que não Irão se dissolver em pouco tempo, é buscar o prestígio antes do sucesso, e não o inverso, criando bases duradouras. SC ainda tem muito o que crescer, o que nos deixa empolgados, pois se já tivéssemos a sensação de termos tudo na mão, perderia toda a graça, e o que queremos são desafios, por isso deixamos o ambiente industrial.
Fresta: Por falar em globalização, todo mundo já está careca de saber que hoje a informação flui muito mais depressa. Chegou a tal ponto que até mesmo as pessoas comuns conseguem espalhar notícias antes da grande mídia, o Twitter que o diga! Como o estúdio faz para se manter atualizado e a frente dos outros ao mesmo tempo? Existe um núcleo de pesquisa ou a informação é terceirizada? Onde vocês buscam referências?
Firmorama: Temos um trabalho interno de geração de conteúdo, e uma vocação para contar histórias de envolvimento com os trabalhos, afinal estamos longe de onde os olhos estão voltados, então temos que fazer com que eles voltem-se pra cá, e uma dessas formas é usar a internet como nossa base principal.
Por isso estamos já pensando em um novo site, cheio de novidades e novas funcionalidades, para aproximar ainda mais o contato com nossos trabalhos, e as histórias que temos contado através das marcas de nossos clientes, ou trabalhos pessoais e experimentais do estúdio.
A batalha é comum a todos nós, cuidar do dia a dia produtivo, e ainda assim, estar atualizado e presente com uma informação relevante na internet.
Fresta: O Firmorama é composto por apenas três designers. No meio de tanto trabalho, como são distribuídas as tarefas? Todo mundo faz um pouco de tudo ou cada um trabalha dentro de suas especialidades?
Firmorama: Somos em 03 sócios, mas hoje somos em 05 designers no estúdio, e prestes a receber mais uma ilustradora da França para trabalhar conosco por um tempo.
Tivemos a sorte de termos perfis diferentes desde o princípio do estúdio, ou seja, cada um possui afinidade com uma função, isso equilibrou muito bem, principalmente no início, quando éramos apenas em 03. Não se trata de cada pessoa desenvolver apenas o foco em seu trabalho, até porque, gostamos da multidisciplinaridade, mas sim, termos funções que possuem seus responsáveis dentro do estúdio.
Mas nada é muito fechado, pois justamente é o que diferencia nosso trabalho, onde todo mundo pode opinar, e dar soluções diferentes para os desafios diários, já que temos uma equipe pequena, e podemos fazer isso sem problemas hierárquicos muito limitadores.
Fresta: Aqui na Fresta e também em vários outros lugares foram publicadas algumas das tendências que prometem para o ano de 2011. Além das basiconas como sustentabilidade, compras coletivas, etc., que outras tendências vocês observaram e apostam?
Firmorama: Brasil com ainda mais atenção (pode ser que seja algo que vá aumentar a cada ano que estiver mais próximo da copa), e mais umas 357 outras apostas que podem surgir de hoje para amanhã. Como tudo que se refere a apostas e informações, o excesso se faz presente, e é difícil tomar partido de alguns, temos nossas teses aqui, mas isso a gente deixa para uma próxima conversa, senão teremos muito mais parágrafos pela frente.
Para conferir de perto o trabalho do Firmorama não deixe de acessar o site do estúdio. Vale também curtir a página do Facebook e seguí-los no Twitter: @firmorama.
(Por Claudia Bär para Fresta)
Claudia Bär
Designer, trabalha por trás dos teclados da Fresta. Sonha em nadar ao lado de um tubarão baleia, vaga entre ilustração e fotografia, cat lover, genuine fake.