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A nova fase de Leandro Pitz

Esses dias nós ficamos pensando nas pessoas criativas que nós aqui da Fresta conhecemos e no trabalho incrível delas. “Porque não espalhar aos sete ventos as ‘invenções’ dessas pessoas?”. É por isso que, com muito orgulho,  a Fresta apresenta no Aposto o trabalho do Leandro Pitz, que já trabalhou comigo (Claudia) e com o Viti (marido da Nina Speranza, fundadora da Fresta) na Imaginarium, e que é autor de belíssimas ilustrações.

As composições simples, a preferência por tons pastel e temas melancólicos fazem parte de seu universo artístico, que ele mesmo define como “o retrato de pessoas sem rumo, monstros com o coração amolecido e adolescentes incapazes de crescer”.Foi aí que decidimos fazer três perguntinhas básicas para o cara, a fim de saber um poquinho mais sobre o seu trabalho.

Fresta:   Quando você diz que quer retratar pessoas sem rumo, monstros de coração mole e eternos adolescentes, você acha que uma imagem é realmente capaz de transmitir tudo isso?  Será que a idéia que um artista quer passar é a mesma que os espectadores conseguem captar?

Leandro: Você está falando sobre a criação da imagem autoral, digamos assim. E sobre isso eu penso que ela não tem que transmitir apenas esse "todo" da intenção do criador, mas também o que ele não quer ou desconhece. Essa é a graça da imagem, que será sempre um pequeno mistério de ambos os lados. Acho que dá pra entender um pouco mais sobre si mesmo olhando pro nosso próprio estilo. Da mesma forma podemos ficar ainda mais "sem rumo". Um desenho é cheio de resistências.

F.:   Para a criação dos seus personagens, você se baseia em pessoas que você conhece e  acontecimentos ao seu redor, ou são situações fictícias? Quem são os tais monstros de coração amolecido?

L.: Acho que essa pergunta diz mais respeito à uma época do meu trabalho em que eu fazia retratos de adolescentes. No livro "Entre Outros", da +Soma, fizeram um comentário legal dizendo que essas pessoas em poses plácidas eram "contaminadas por um mal-estar revelador". Isso tem a ver comigo e com algumas pessoas próximas. Mas isso já passou. O coração tá mais sarado e as imagens são outras.

F.:   Vou aproveitar que você fala sobre pessoas sem rumo e te questionar a respeito do mercado de arte e ilustração. São tantas pessoas produzindo ao mesmo tempo que às vezes pode parecer que o mundo é pequeno demais. Ou seria apenas uma parte dele que é restrita? Será que é por isso que muitas vezes nos sentimos perdidos, entre a nossa idéia de arte e criatividade e a idéia que nos é imposta por interesses de força maior? 

L.: Eu sinceramente quero que todo mundo desenhe. Quero ter cada vez mais esse prazer de conhecer os outros. O prazer de procurar por eles é parecido com o prazer de criar. É uma relação muito interessante. Tenho que pensar melhor a respeito. Agora sobre o mercado de ilustração, estou começando a entrar nele, não tenho ainda uma idéia muito bem formada a respeito. Quero que seja mais fácil e sem pressão, só isso.

 

Nota: O Leandro Pitz Schroeder se formou em Design Gráfico pela UDESC e já teve seu trabalho em revistas como +Soma, Zupi e Computer Arts, e também no livro "Entre Outros" da +Soma e "SP Em Vinte Artistas", organizado pela Cavalera e pelo Estúdio Base V; além de ter seu trabalho exposto em galerias como a +Soma, em SP, e a Quina, em MG. Para saber mais, é só espiar o site dele.

 

Por Claudia Bär

bom garoto
Giba Duarte
Parceiros
03.09.2012 às 17:06
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de
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